sábado, 6 de julho de 2013

Fora do rumo

Essa semana eu dei uma pirada legal.
Equeci de tirar minha saia do molho, de imprimir as provas dos alunos com antecedência, de revisar as tarefas, de colocar meus projetos para frente. Esqueci tudo, e por um momento, não soube o que fazer.
A monografia foi finalizada, só falta a revisão da minha orientadora para ver se tem algo a mais para ser feito. Talvez, cumprir esse objetivo após ter abdicado dos outros temporariamente tenha me dado a impressão de que não conseguiria colocar os outros projetos para frente. Estive meio deprimida (excesso de progesterona, talvez) mas agora estou melhor.
Tenho muito o que fazer: as aulas, o casamento, o mestrado, meus textos (quero tentar escrever literatura), enfim. A vida não pára.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Angústias ortográficas

Sou professora de Língua Portuguesa há uns... 5 anos, considerando aulas particulares e estágios durante a faculdade, mas nem por isso saio por aí apontando tudo quanto é erro ortográfico, até porque ser chata é algo bastante cansativo.
Entretanto não posso deixar de notar que desenvolvi uma sensibilidade incomum para erros cometidos em publicações midiáticas e marqueteiras: são dois segmentos a quem atribuo uma certa responsabilidade com a língua, pois, por exemplo, teria dúvidas sobre a idoneidade de um vendedor de cães que escrevesse "vende-se caxorrinhos pudos". Francamente, quem estivesse disposto a investir dinheiro na compra de um cão de raça, se não o faz, deveria desconfiar dos conhecimentos técnicos de alguém que vende algo que sequer sabe grafar: que especialização tem essa criatura? O quanto ela entende de cães para vendê-los?
Outro dia caminhava com a minha mãe quando vi um belo banner contendo a seguinte informação: "faço alizamento à laser". Acho que não fiquei chateada com o/a dono/a do espaço, mas acredito que esperavam que a pessoa a quem pagaram pelo serviço tivesse feito a correção. "Alisamento" vem de "alisar" que significa "tornar liso", e por isso grafa-se com "s". Não se trata de uma palavra que a gente só vê quando mostram algum barraco de políticos na câmara dos deputados pela TV ou quando resolvemos ler um bom livro: "liso", "alisa" e "alisamento" se encontram de montão em frascos de shampoos, cremes e outros cosméticos capilares em qualquer supermercado. São palavras, inclusive, familiares à quem vende o serviço divulgado no banner e se eu percebesse o erro, pediria um novo banner sem custo adicional, afinal, alguém que ganha a vida com textos e imagens deveria ter um dicionário como melhor amigo...
Mas o fim da picada foi ver em um desses  noticiários populachos o verbo "chantagear"  (com er) conjugado como "chantagiava". Ali não tem perdão: há um batalhão de pessoas com alto nível técnico, além de jornalistas para revisar textos e colocam um verbo conjugado erroneamente em rede nacional! Além do mais, o público sempre  tende a acreditar que noticiários são uma boa fonte de exemplos de língua-padrão, no que o programa em questão certamente não deu o exemplo...
Que felicidade era não ser tão sensível...

domingo, 9 de junho de 2013

Sobre o dulçor

- Me dá um pedacinho de bombom?
Estava eu, em algum período de 2012, saboreando uma daquelas maravilhosas trufas de chocolate da Cacaushow enquanto caminhava até o trabalho. Fui surpreendida por uma mulher desconhecida,na faixa dos 60 anos, que me fez o pedido acima.
No momento, me passou pela cabeça dizer não e prosseguir o meu caminho, mas o pensamento só durou um segundo: seria muito egoísmo ignorar seus olhos suplicantes como os de uma criança. Além disso, seu pedido cheio tinha um tom de expectativa quase infantil e suas roupas gastas e a trouxa que carregava nas mãos indicavam que aquela mulher há muito não podia comprar um único doce: sua vida era amarga e cheia de privações.
- Pode ficar com o meu- disse à mulher.
Segui o meu caminho e aquela estranha seguiu o dela. Caminhei feliz por ter concedido-lhe um pouco de dulçor.

sábado, 8 de junho de 2013

Sobre fadas e bruxas

Toda menina em algum momento deseja ser fada. Comigo não é diferente.
Na infância a fantasia aparece com o faz-de-conta, em que temos o poder de fazer com que amigos invisíveis: princesas, fadas e príncipes; tomem forma. Na adolescência, queremos ser fadas para encantar as pessoas à volta e descobrir mistérios que só o coração sabe: para isso, nos metamorfoseamos em patricinhas, nerds, poderosas ou em nós mesmas. Todas queremos deixar o nosso nome no mundo (o que invariavelmente me faz lembrar o quanto minhas alunas adoram escrever seus nomes no quadro negro). 
Na vida adulta, ser fada passa a ser inevitável: de que outra maneira uma mulher conseguiria trabalhar, estudar, cuidar da casa, dos filhos e ainda assim encontrar tempo para ser encantadora?
Gostaria que o meu encanto contagiasse meus alunos como sonhei nas minhas brincadeiras de infância. Gostaria de ser fada, mas tem me faltado aquela leveza e disposição em encantar, pois minhas tentativas têm sido em vão.
Encontro-me novamente assustada com o mundo, assustada com o lugar para onde as minhas escolhas me levaram e sobretudo, tem me passado pela cabeça a ideia de desistir do meu velho sonho de ser professora.
Mas não vou. Me culparia eternamente pelos anos desperdiçados com xerox, papel caneta e dedicação intelectual em um dos cursos mais densos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Eu me culparia, mesmo sabendo que os alunos que me lançam pedaços de giz e mancham minha roupa com corretivo não dão a mínima para minha culpa. Estão errados, mas tento entendê-los: são obrigados a estar na escola mesmo quando não querem, e nem ao menos entendem o porquê.
O que eu poderia dizer a eles eu já disse: chamo a atenção, grito (e como grito: se antes eu era uma soprano que ia até as notas mais agudas, hoje minha voz tem quase a extensão de um tenor), converso, falo sobre a vida e suas exigências. Entretanto, talvez a maioria deles ache que o discurso de uma professora de 23 com cara de adolescente de 15 seja hipócrita e vazio, alienado e repetitivo, como se eu não conhecesse nada sobre a vida e estivesse repetindo a fala dos outros. Mas insisto por aqueles que confiam no meu trabalho, sobretudo por mim mesma.
A educação impulsionou a minha vida: o que sou hoje devo a ela. Mesmo que a minha fada interior esteja machucada e triste, vou continuar.
Semana que vem vou deixar minha fada descansar um pouco e vou despertar a minha bruxa. Detesto me impor pelo medo mas a curto prazo não tem jeito: preciso mostrar-lhes que não estou para gracinhas...
Mas assim que a fada melhorar eu a acordarei... E seremos felizes para sempre!